ESTADÃO: Sobre o sujeito pós-freudiano

07/06/2012 02h53

 

O Estado de S. Paulo publica, no Caderno Sabático, de 2 de junho de 2012, uma resenha crítica do livro de Jorge Forbes – Inconsciente e Responsabilidade – escrita pela Professora Leda Tenório da Motta.

Algumas frases desse artigo:

- Se tudo isso estiver certo, Inconsciente e Responsabilidade - Uma Psicanálise para o Século XXI, de Jorge Forbes, tem chances de ser o balanço de Lacan e a interrogação de seus préstimos a 100 anos de distância de Freud que pretende ser.

- Aqui, à verve se responde com a verve, numa contra-assinatura autoral digna da tarefa pretendida. E a melhor prova disso é certa nomenclatura principal do livro - o homem "desbussolado", o mundo “desbussolado”.

- Refere-se a essa situação não mais "pai-orientada" todo o esforço do autor no sentido de repensar o papel tanto dos que se arvoram em exercer a velha arte da cura pela palavra quanto dos que pela palavra buscam se libertar.

- Mas tampouco é estranha à liberdade de movimento de Forbes a palavra "responsabilidade", menos enfatuada que "ética" e "moral", que se costuma acionar em incursões deste tipo, menos culpabilizante e melhor administradora da angústia que toda chamada à moralidade desencadeia em quem é chamado.

- Nesta outra circunstância, o sujeito diz seu caos, como um poeta de si mesmo. Sem emprestar-lhe nenhuma acepção prazerosa tola, esse dizer desamparado e impositivo é o que Lacan chamou o "gozo".

- Seja seu anticatastrofismo, que, indisposto contra o lugar-comum da visão do "pandemônio", troca a recusa do presente pela suposição de que as pessoas não estão assim tão desorientadas como querem fazer crer as novas religiões, os recrudescimentos do conservadorismo e as psiquiatrias medicamentosas.

- E é bom ressaltar que é desse mesmo espírito dissidente que Forbes participa, quando reencaminha o gozo da palavra cravada como saída para nós sujeitos atuais, na  contramão da vigilância do Grande Pai ideológico que, por aqui, segue reputando imorais os excessos do sujeito e da palavra.

Clique aqui para ler o artigo, na íntegra.